Entre os dedos
Entre os dedos tenho a morte.
Entre os dedos tenho a dor.
Entre os dedos me escapa a vida
lenta e sutil se esvai no céu.
Entre meus dedos tenho a fumaça
que nebulosa me esconde o pesar
entre meus dedos me escapam lembranças
de amores, aventuras, desamores, desventuras.
Trago em cada trago
o gosto amargo do passado
das lembranças que me driblam a sensatez.
Nos pulmões carrego a mancha do não ser.
Suspiros efêmeros negam-me a euforia
de querer ter entre os dedos você.
Dia Nublado
O dia amanheceu nublado.
Cinza, ávido.
Mal abri os olhos
e já sabia,
os pássaros não gorjeavam,
as crianças não brincavam
nos jardins de suas casas.
Ainda que lá fora
o sol ardesse,
e seu brilho cegasse,
reinando opulento sobre os céus,
ainda assim
o dia era nublado.
Nublado em mim.
Tons cinza, apagados.
Restos de cigarros no chão.
As marcas das lágrimas
que fizeram tempestade
em minha face pálida
noite adentro.
Lágrimas que descem como navalhas,
cortam a alma,
rasgam esperança, fé, amor.
Lágrimas que castigam,
gritam, bailam.
Para virem,
basta abrir a comporta
que liga olhos e coração.
E então, sem mais,
o dia se fez nublado.
Não lá fora.
Dentro de mim.
Lembranças do Último Adeus
Entre nós,
a diferença,
temperamento, temperatura,
altitude, atitudes,
estatura, estrutura.
Enquanto ainda ontem
comungávamos
idade e verdades semelhantes,
e discorríamos
sobre a eternidade do amor.
Em nós,
o antagonismo dos gostos,
gestos, atos, hábitos.
Palmeiras, mangueiras.
Franceses, holandeses.
Vazio, multidão.
Praças e becos.
Eu, leão.
Coração alado, voando a dois mil pés,
discípulo de Marx, Lênin, Trotsky, Che,
desorganizado, desastrado, irreverente, utópico,
averso a shopping center,
às cúpulas da burguesia,
estudante de Serviço Social, militante,
aprisionado ao discurso de meu ideal.
Tu, câncer.
Sentimento à flor da pele.
Sublime, atraente,
entregavas-te sem temer.
De Chiavenato a Ruy Moreira,
Pedro Demo, Milton Santos.
Música, livros,
e a inteligência
que me pareceu sempre sinônimo do teu nome.
Espírito livre,
tanto que 331.983,293 km²
fazem-se pequenos demais
para os largos passos
dos teus pequenos pés.
Houve tempos, contudo,
em que passeávamos de mãos entrelaçadas,
corações flechados faziam árvores sangrar,
colecionávamos luas, abraços, canções,
tínhamos nada
e, ao mesmo tempo, tínhamos tudo.
Ouvíamos Hillsong, Morning Star,
e nossos beijos eram temperados
a pizza dobrada e Coca-Cola,
onde entendíamos a linguagem dos lábios
com o dicionário dos olhos.
Quanto a isso, também esqueceste?
Naquele tempo,
a diferença era apenas de segundos
nos ponteiros do relógio.
Não havia essa distância.
A distância que nos separou
mais do que os polos da Terra.
Ideologias contrárias,
socialistas e capitalistas
do mesmo amor.
Ruas opostas,
contramão.
Bairros distantes.
Línguas diferentes.
E, no entanto, estamos aqui,
na mesma sala,
com um clima mórbido,
como se velássemos agora o amor
que, por desventura, disseste ter morrido.
Quisera eu ouvir os ambulantes novamente,
meio-dia, pedra quadrada e filosofal,
lembranças.
Mas abro os olhos
e me deparo com a caneta
e tua voz a me dizer,
assina logo esse maldito papel.
Teus olhos
Teus olhos, esquivos,
escondem quase displicentes
a penúria de uma alma aflita.
Em teu rosto,
finos traços,
como talhados por mãos de artesão,
congelam o instante,
um choro contido,
uma angústia estancada,
travestida de firmeza.
És, por ora,
síntese de tuas escolhas,
antítese de teus desejos.
O peso de Saturno é menor
que o dos próprios anéis.
Alianças deixam marcas.
Não nos dedos, não.
São marcas na alma,
por vezes impossíveis de apagar.
Teus olhos, contudo,
não sabem mentir.
Tua alma salta, cotidiana,
pelas brechas da cela que escolheste.
Teu espírito voa alto
e, quem sabe, em um desses voos,
percebas enfim
que os brilhos de teus olhos
não podem se perder.
Dizem que os olhos
são portais da alma.
Amor em Silêncio
Nas profundezas da noite,
onde o silêncio respira
e as estrelas sussurram segredos,
há um abismo imenso
em que minha alma, fragmentada,
se perde em ecos.
Sou o vilão das histórias que contam,
sombra projetada
em paredes frias,
culpado aos olhos
dos que não veem
as lágrimas ocultas
em minhas poesias.
Amar é paradoxo,
chama que aquece e ilumina,
mas às vezes
é vela acesa
que também cega.
Cercado por reflexos distorcidos
de um coração em ruínas,
renuncio ao êxtase
de um sentimento inteiro
para salvar tua alma.
A dor é um rio,
serpenteando silencioso
por campos de esperança,
carrega fragmentos
de um sonho desfeito,
cada gota
uma lembrança.
Há, porém, uma fortaleza
em cada renúncia,
um castelo erguido
no sacrifício,
pois sei que proteger-te
é afastar-me,
mesmo à custa
do que em mim ainda floresce.
Serei guardião da tua paz,
escudo contra tempestades ocultas,
ainda que, por vezes,
eu mesmo seja
a tempestade
em teus olhos.
Meu amor,
segredo trancado
em cofres de aço e dor,
atravessa desertos
de incompreensão
para que jamais conheças
esse gosto.
Sou a sombra
na periferia da tua luz,
a face oculta da lua
que abdica do brilho
para que ela resplandeça.
Se sou mau,
que assim seja.
A bondade não se mede
pelos olhos que julgam,
mas pela mão que protege,
mesmo quando fere
sem querer.
Caminho entre espinhos
e flores murchas,
com o coração aflito
e a consciência serena.
Na renúncia do que sinto,
descubro a essência do amor,
proteger-te,
mesmo que minha alma se quebre,
é o meu destino.
Perdido nas sombras,
meu coração ainda sangra,
e, ainda assim,
ousa amar.
Cicatrizes profundas,
luz que te guarda,
único sentido
que me sustenta.
Sou a escuridão
para tua luz existir.
Amor que renuncia
para teu riso permanecer.
Nada mais importa.
Ao te ver feliz,
minha alma aquieta.
E assim sigo,
em silêncio,
com a dor
que me embala.
Ceia da Solidão
Nos cantos gelados da solidão,
há um prato servido,
sem sabor.
Fria é a comida,
insossa a sensação.
Na mesa vazia,
ecoam talheres invisíveis,
e a dor se acomoda
como hóspede antigo.
Mastiga-se o tempo,
morno, lento.
Engole-se o silêncio,
seco, cru.
Cada garfada, um desalento.
Cada mordida,
um vazio exposto.
A solidão tempera o prato
com especiarias de ausência
e pesar.
E o coração,
solitário,
digerindo lembranças
que não passam.
No frio da alma,
o paladar se perde.
Permanece a fome,
não de pão,
mas de presença.
No prato insosso,
a esperança cede,
e a saudade insiste
em cada gesto repetido.
Ainda assim,
na ceia da solidão,
há um intervalo de luz.
Um quase gosto,
um vestígio,
um anúncio distante
de outra mesa.
O amanhã
talvez sirva outra refeição,
e quem sabe, enfim,
um sabor que permaneça.
Meus Filhos, Minha Inspiração
Filhos,
sois a luz que sustenta meus dias,
estrelas acesas
no silêncio das minhas noites.
Em vós,
razão e amor
se entrelaçam,
e no peito guardo
o eco doce
de vossas vozes.
Raphael,
força que caminha,
coragem que não se curva.
Em cada passo teu,
um sonho que se afirma,
um orgulho que floresce
sem pedir licença.
Júlia Letícia,
delicadeza que ilumina,
teu sorriso aquece
como manhã que chega.
Em teus olhos,
há um mundo inteiro
que insiste em ser belo.
Filhos amados,
minha canção contínua,
em vós encontro
força e sentido.
Que a vida vos seja larga,
que o caminho se abra
mesmo quando parecer estreito,
e que meu amor
vos acompanhe
como presença que protege.
Nos dias leves,
celebraremos juntos.
Nos dias difíceis,
serei abrigo,
direção,
calor.
Raphael,
tua força me sustenta.
Júlia Letícia,
tua ternura me guia.
Sois minha herança mais viva,
meu maior tesouro,
o sentido que permaneceu
quando tudo vacilou.
Que o mundo vos acolha
com a gentileza que mereceis,
e que o amor vos conduza
em cada escolha.
Crescei livres,
fortes,
inteiros.
Segui vossos sonhos,
construí caminhos,
atravessai pontes.
Raphael e Júlia Letícia,
amores da minha vida,
em vós respiro,
em vós permaneço.
E enquanto eu for,
sereis nunca sós.
Discurso Silencioso
Fiz do silêncio
meu melhor discurso.
Na calma,
as palavras adormeceram,
e dentro de mim
um mar de sentimentos
aprendeu a falar
sem som.
A quietude
tornou-se voz.
Nas pausas,
descobri a precisão
do que não se diz.
Sem ruídos,
cada gesto ganhou peso,
cada ausência
se fez linguagem.
No vazio das palavras,
a verdade emerge.
O coração se despe,
inteiro,
sem temor.
Fiz do silêncio
meu abrigo.
E nele,
a paz não grita,
permanece.
E o amor,
sem precisar dizer,
existe.
Te Encontrei
No inesperado da vida,
te encontrei.
Como se o acaso
soubesse antes de nós
o ponto exato
onde nossos caminhos
deveriam se cruzar.
Em ti,
confessei minhas angústias,
e em teu olhar
encontrei abrigo.
Havia calma
no modo como escutavas,
e em cada palavra tua
um alívio discreto,
quase silencioso,
curando feridas
que o tempo não soube fechar.
A cada desabafo,
o peso cedia,
o coração desaprendia
a carregar sozinho.
Em ti,
descobri o bálsamo,
o espaço seguro
onde dores não precisavam
se esconder.
Segredos partilhados,
silêncios compreendidos,
e, pouco a pouco,
refiz-me.
Hoje,
há inteireza onde antes havia falta.
Não por ausência de dor,
mas porque encontrei
companhia no caminho.
No inesperado,
revelei a verdade mais simples:
há encontros
que não explicam,
apenas acontecem.
E permanecem.
Em ti,
a forma mais serena
da amizade.
Canção da Solidão
A solidão,
minha única companhia,
caminho só
pela noite fria.
O vazio não me cerca,
habita.
E o silêncio,
em vez de ausência,
me escuta.
As estrelas, distantes,
já não me guiam.
Aprendi a andar
sem céu.
E na quietude,
algo se abre.
Há reflexão
onde antes havia ruído.
Há escuta
onde antes havia pressa.
Na ausência,
pulsa a introspecção.
E no fundo de mim,
descubro uma força
que não depende de ninguém.
A solidão,
antes peso,
agora presença.
Não me abandona,
me acompanha.
E mesmo na escuridão,
há paz.
Porque nela,
sem máscaras,
sem vozes alheias,
eu me encontro.
E escuto, enfim,
minha própria canção.
A canção que não escrevi
Pra você,
não cantarei nenhuma canção.
Não declamarei verso,
ode ou oração.
Não farei da palavra
doce armadilha.
Nem darei voz à alma
em forma de trilha.
Não gastarei o tempo
tentando encantar
teu ser hesitante.
Não moldarei o amor
para que possas compreender.
Pra você,
não escreverei
uma só linha.
Porque palavras não bastam.
Em mim,
a alma caminha
além do que pode ser dito.
Folhas não guardam
quem me habita.
Tinta alguma contém
o excesso do sentir.
E, no entanto,
há em ti
uma fome de escrita.
Dizes não crer nas palavras,
mas não fomos nós
feito de poesia?
Nos risos,
nos olhos,
naquilo que quase se dizia?
Não escreverei.
Assim afirmo.
Não no papel,
não na tinta,
não no gesto previsível
de quem tenta explicar o amor.
Mas, ainda assim,
dia após dia,
hei de te encantar.
Não com versos,
mas com presença.
Não com rimas,
mas com permanência.
Serei a canção
que apenas teu peito reconhece.
O poema que vive
no silêncio entre nós.
E, quando perceberes,
estarás marcada
não por palavras,
mas por aquilo que se vive.
Porque, mesmo negando,
mesmo silenciando,
eu te escrevo
em tudo.
Portais da Alma
Teus olhos esquivos
escondem, quase displicentes,
a penúria de uma alma aflita.
Em teu rosto,
finos traços,
como talhados por mãos de artesão,
congelam o instante,
um choro contido,
uma angústia estancada
para sustentar a firmeza do semblante.
És, por ora,
síntese de tuas escolhas,
antítese de teus desejos.
O peso de Saturno
é menor que o dos próprios anéis.
Alianças deixam marcas.
Não nos dedos.
São marcas na alma,
por vezes impossíveis
de apagar.
Teus olhos, contudo,
não sabem mentir.
Tua alma salta,
cotidiana,
pelas brechas
da cela que escolheste.
Teu espírito voa alto,
e talvez, em um desses voos,
percebas enfim
que o brilho dos teus olhos
não pode se perder.
Dizem que os olhos
são portais da alma.
Eu sinto sua falta
A noite avança.
O relógio marca 23:00.
Há uma inquietude
que me atravessa,
retira a calma,
desorganiza o que sou.
Um grito contido
lateja na garganta,
e por dentro
uma palavra insiste,
saudade.
Saudade de quem,
mesmo distante,
permanece perto,
tão perto quanto o pensamento
permite alcançar.
Habitas em mim,
no que sinto,
no que lembro,
no que ainda resiste.
Carrego-te
em cada sorriso breve,
em cada olhar perdido,
na gargalhada solta
quando a memória retorna.
E também nas lágrimas,
que na tua ausência
descem naturais,
como se o corpo soubesse
o caminho da falta.
Há um presente feliz
guardado nas lembranças,
e é nele que me perco
quando tudo silencia.
Queria ver teu sorriso,
apenas isso,
para que meus olhos
alcancem o que o coração
já conhece.
Quero Molhar Meus Pés
Quero molhar meus pés.
Chegar à praia,
abrir os braços,
ser envolto pela brisa,
respirar o cheiro do mar.
Quero um momento sozinho,
com você ao meu lado.
Um instante em que nada se exige,
nem palavra,
nem gesto,
nem explicação.
Quero perder o olhar no horizonte,
pensar em tudo,
lembrar de tudo,
ouvir a canção do vento
atravessando o tempo.
Olhar de lado,
quase sem querer,
contemplar teu rosto
como quem guarda um segredo.
Juntar os lábios,
fechar os olhos,
sorrir em silêncio,
disfarçar
o quanto te vejo.
Quero molhar meus pés,
não pelo cansaço do caminho,
nem pelas pedras que ferem,
mas porque o mar, ao tocar a pele,
rega o que em mim ainda vive.
Uma esperança
que insiste,
que respira,
que sou eu.
Vem.
O futuro está logo ali,
escondido
na linha do horizonte.
Segura minha mão,
caminha comigo.
Sem pressa.
Quero apenas
molhar meus pés.
Chuva de Saudade
Hoje à tarde,
os céus choraram nossa saudade.
A água caía na rua,
formando pequenas poças,
lavando o chão,
regando plantas,
deixando no ar
um convite manso,
travesseiro, filme,
preguiça de entardecer.
Mas a chuva não parou lá fora.
Molhou também
o teto de minh’alma,
e trouxe de volta
momentos partilhados,
histórias ditas ao acaso,
sorrisos lançados ao vento,
pedras arremessadas ao mar.
Havia, em tudo,
um sentimento inteiro,
sublime,
que aquecia silencioso
a lareira do coração.
E ainda assim,
nessa tarde,
enquanto os céus choravam,
abriu-se em mim
um riso inesperado.
Corri sob a chuva,
como quem reencontra algo,
cabelo molhado,
sorriso de menino,
leve,
quase esquecido.
Hoje choveu,
e eu me molhei.
Molhei o corpo,
mas sobretudo
as lembranças
que inundaram minha alma.
Ficou a vontade
de te ver,
e a certeza tranquila
de querer-te bem.
Sempre.
Noite de Saudade
Ontem,
a noite estava fria.
Não direi, contudo,
que senti frio.
Poderia recorrer
ao alarido poético das palavras,
vestir o verso com exagero,
mas ontem foi diferente.
A baixa temperatura de fora
não alcançou meu coração.
Havia nele
um calor constante,
o mais simples
e mais absoluto dos sentimentos,
amor.
A saudade das noites passadas
não havia cessado,
apenas se transformara.
Misturou-se às vontades,
tornou-se quase suave,
algo além
da dor de querer
e não ter.
Era vontade
de ver teu sorriso novamente,
de atravessar contigo
tempos improváveis,
de caber no espaço exato
dos teus abraços.
Vontade
de lançar pedras ao mar,
sentir a brisa tocar o rosto,
ainda que nenhuma brisa
se compare
ao toque das tuas mãos.
E assim,
olhando a lua,
pedi em silêncio
que estivesses aqui,
ao alcance do gesto,
ao alcance do olhar.
Teu nome, em mim,
já não é ausência.
É presença contínua,
é chamada insistente
de uma alma
que não aprende a desistir.
A lua prateada
iluminava a esperança
na janela do quarto,
e seu brilho parecia se misturar
ao perfume das rosas
que lentamente se abriam.
Lá fora,
o silêncio era rompido
pelo uivo dos cães,
como se também eles
sentissem falta
de algo que não sabem nomear.
E dentro de mim,
em uma caixa guardada no peito,
o coração pulsava,
ardendo quieto,
carregado de saudade.
Amar e Ser Feliz
Um dia, ao olhar para trás,
veremos
que as lembranças serão pequenas
para o que fomos.
Tentaremos contar beijos,
enumerar risos,
mas será mais fácil
contar estrelas
ou encontrar uma chuva de meteoros.
Nossos sorrisos,
tão profundos,
haverão de alcançar
até os que esqueceram
como se alegrar.
O futuro, então,
brilhará no presente,
e o passado
será apenas rastro,
pegadas na areia.
Meus olhos se enchem
enquanto escrevo.
Meus dedos obedecem,
meus lábios silenciam,
mas o coração insiste,
transborda.
Quero te dizer,
com a simplicidade do que é inteiro,
que te amo.
E que amar,
para mim,
é permanecer.
Prometo cuidar,
respeitar,
honrar tua existência,
ser presença,
ser abrigo.
E, nas horas difíceis,
sermos um ao outro
consolo e paz.
Que a única regra
seja esta,
amar
e ser feliz.
Veneno e Antídoto
A dor de um amor quebrado
é como veneno.
Corre lenta,
silenciosa,
instala-se no que há de mais fundo.
E, ainda assim,
o antídoto
não vem de fora.
Está naquilo
que também poderia matar,
o próprio amor.
Não se trata
de substituir um pelo outro,
nem de apagar o que foi.
Não é isso.
Há, porém,
um espaço que permanece,
uma lacuna aberta,
um vazio que insiste.
E esse vazio
não se preenche com ausência.
Precisa de presença.
O amor que se foi
não retorna,
mas deixa em seu lugar
um território possível.
E é nele
que outro pode nascer.
O veneno que fere
é o mesmo que cura.
Mas, afinal,
morre-se de amor?
Não sei.
Sei que o teu
me devolveu à vida.
Uma vida que estava guardada,
esquecida,
dobrada junto à esperança,
trancada em um baú
que eu chamava destino.
E foi o amor,
de novo ele,
quem abriu.
Amor Diferente
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